terça-feira, 16 de novembro de 2010

Maia e Kassab medem forças pelo comando do DEM

Partido prepara nota negando plano de fusão com PMDB
Conflagrada, legenda discute substituição de  dirigentes

  Divulgação
Parceiro de derrota do tucano José Serra, o DEM atravessa uma crise que pode converter em realidade o sonho de Lula de “extirpar” a legenda de cena.

No último sábado (3), o deputado Rodrigo Maia, presidente do DEM, voou do Rio, onde mora, para São Paulo.

Encontrou-se com o prefeito Gilberto Kassab e com o ex-senador Jorge Bornhausen, presidente de honra do DEM.

A dupla disse a Rodrigo que deseja antecipar as eleições internas para a “renovação” do quadro de dirigentes do partido.

A coisa começaria nos municípios, iria aos Estados e alcançaria o DEM federal.

Tudo até o meio do ano, não no final de 2011, como estava previsto.

Assim, com sutileza de elefante, Kassab e Bornhausen informaram ao interlocutor que almejam apeá-lo do posto de presidente.

Como pretexto, mencionou-se a tese segundo a qual a injeção de sangue novo vai “fortalecer” o partido, preparando-o para a eleição municipal de 2012.

Se é assim, respondeu Rodrigo, o primeiro passo é exorcizar o fantasma da fusão com o PMDB. Eliminada a falta de nexo, o DEM iria cuidar, sem pressa, de sua reestruturação.

Patrono da ideia de empurrar o DEM para dentro de uma legenda aliada de Lula e sócia de Dilma Rousseff, Kassab concordou. Bornhausen tampouco fez objeção.

Nos próximos dias Rodrigo divulgará uma nota. No texto, negará o desejo de fusão e dirá que o DEM continua na oposição.

A súbita recuperação dos pendores oposicionistas de Kassab e Bornhausen é vista de esguelha por seus próprios pares:

Ouça-se, por exemplo, o deputado Ronaldo Caiado (GO), vice-líder do DEM: “Isso é história da carochinha...”

“...O que eles querem é colocar o Kassab na presidência do partido para, depois, voltar com a ideia da fusão com o PMDB...”

“...Há duas maneiras de prestar serviço ao governo. Uma é a adesão do DEM ao PMDB...

“A outra é fazer papel de quinta coluna, fomentando a briga na nossa trincheira, no instante em que deveríamos cuidar da estruturação do partido na oposição”.

O bloco antifusão inclui outros expoentes do DEM. Entre eles Agripino Maia (RN) e Demóstenes Torres (GO), dois senadores que sobreviveram ao tsunami Lula.

A resistência, aparentemente majoritária, forçou Kassab a reordenar sua infantaria. Aconselhado por Bornhausen, o prefeito recolheu momentaneamente as armas.

Toma fôlego, esboça a investida contra a presidência de Rodrigo Maia e equipa o paiol para o embate final.

Na parte que diz respeito à fusão, a batalha do DEM é um filme preto e branco. Na batalha pelo controle da legenda, há uma área cinzenta.

Nem todos os que se opõem à rendição ao governo são contrários à substituição de Rodrigo Maia. É nessa zona de sombras que Kassab se move.

Gente como Caiado promete levantar barricadas: "Comigo vão ter trabalho. Não me peçam a solidariedade do suicídio..."

"...Lula falou em extirpar o DEM. Querem dar a ele a autoextirpação. Vou lutar com todas as minhas forças para evitar".

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Escrito por Josias de Souza às 08h21

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